Fauna

A diversidade de animais existentes na Reserva Mata do Uru é impressionante quando se leva em conta o tamanho da área. Em apenas 128,67 hectares de floresta, vivem centenas de espécies.

O levantamento de fauna existente no local foi revisado recentemente por especialistas para compor a nova versão do Plano de Manejo da propriedade. O diagnóstico dos grupos faunísticos foi por meio de busca ativa, análise de vestígios, pesquisas e monitoramento do ambiente, inclusive com a instalação de armadilhas fotográficas. 

Os Animais

  • Uru

    Uru

    Odontophorus capueira

    É um pequeno galináceo florestal. Anda em grupos pelo solo e prefere escapar correndo, evitando voar.  Constroem os ninhos no solo, às vezes dentro de um buraco. O canto é uma vigorosa e sonora sequência, ligeiramente ondulada, emitida ao crepúsculo pela ave empoleirada para dormir. O casal canta em dueto; o macho inicia a cantoria e logo a fêmea a ele se une. O restante do bando silencia; assim que o primeiro se cala outro começa as manifestações sonoras por seu turno. 

    *Foto de armadilha fotográfica.

  • Jaguatirica

    Jaguatirica

    Leopardus pardalis

    A jaguatirica é um felídeo de porte médio, Sua beleza é cativante, possuindo uma pelagem brilhante e sedosa. A coloração do dorso é ocorre e do ventre branca, a exemplo do gato-do-mato-pequeno. Porém, as manchas da jaguatirica são alongadas, com as bordas pretas cercando um interior apenas um pouco mais escuro que o exterior. Um par de listras negras corta longitudinal cada lateral da face, enquanto outro par ocorre sobre a fronte. Pode chegar a 1 m de comprimento sem a cauda e pesa em média 12 kg. Habita vários tipos de florestas, mas parece necessitar de vegetação densa. De hábito noturno, é excelente escaladora e nadadora, embora prefira locomover-se pelo solo. Alimenta-se de roedores, coelhos, cervos, porcos-do-mato, pássaros, cobras, lagartos e eventualmente peixes. Sua área de vida é cerca de 15 km². Apesar de preferir realizar suas atividades solitário, não há territorialismo rigoroso, com os indivíduos encontrando-se frequentemente e mantendo relações sociais através de contato corporal e diferentes vocalizações. Encontra-se na lista estadual e nacional das espécies da fauna ameaçadas de extinção.

    Foto de armadilha fotográfica.

  • Bugio-ruivo

    Bugio-ruivo

    Alouatta guariba

    Possui comprimento médio de 1,5 m (incluindo a cauda), e peso médio de 8 kg. Apresentam coloração marrom-avermelhada tendendo ao preto. A região inferior do terço final da cauda é destituída de pelos e utilizada para locomoção e apoio. Possui hábito diurno, deslocando-se em pequenos grupos. Sua vocalização é forte e rouca, quase um rugido, sendo emitida normalmente pelo macho dominante. São essencialmente vegetarianos, consumindo principalmente folhas, mas também flores, frutos e brotos. São grandes consumidores de pinhões de Araucaria angustifolia(araucária ou pinheiro-do-Paraná).

  • Tatu-galinha

    Tatu-galinha

    Dasypus novemcinctus

    Carapaça longa e alta, de coloração acinzentada, praticamente desprovida de pelos. Os pelos encontram-se na região ventral e possuem coloração amarelada. Sua armadura possui nove faixas (novemcinctus) conspícuas entre os escudos anterior e posterior. O comprimento médio excluindo a cauda é de 30 cm, com o peso ficando em torno de 5 kg. Alimenta-se de pequenos artrópodes e anfíbios, além de vegetais. Comum na região, tendo sido avistados três indivíduos durante a avaliação rápida. 

    Foto de armadilha fotográfica.

  • Quati

    Quati

    Nasua nasua

    Espécie bastante comum e amplamente distribuída pela América do Sul. No Estado do Paraná se transformou em uma das atrações do Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu. Mede aproximadamente 60 cm sem a cauda e sua altura (solo ao ombro) é de cerca de 30 cm. Sua característica mais distintiva é a cauda listrada, alternando faixas escuras e claras, a qual está sempre ereta quando o animal se locomove. Sua coloração é marrom-escuro no dorso e mais pálida no ventre, com o focinho e patas negros. Normalmente está ativo durante o dia, possuindo dieta bastante variada, que inclui tanto vegetais quanto animais. Seu faro é muito aguçado, sendo frequente o hábito de escavar para capturar invertebrados que estão enterrados no solo.

    Foto de armadilha fotográfica.

  • Jacu

    Jacu

    Penolope obscura

    É um galiforme arborícola e voador meio desajeitado. O jacu impressiona pela força e rouquidão da voz, quando se manifesta alarmado. Alimenta-se de frutas, folhas e brotos. 

    Foto de armadilha fotográfica.

  • Gato-mourisco

    Gato-mourisco

    Puma yagouaroundi

    Também conhecido como jaguarundi. Este pequeno gato silvestre possui pelagem escura e homogênea, medindo cerca de 60 cm sem a cauda e pesando em torno de 6 kg. Como todos os gatos silvestres é muito ágil e forte, sendo excelente trepador. Alimenta-se de pássaros, répteis e pequenos mamíferos. Ao contrário da maioria dos gatos silvestres é mais ativo durante o dia, caçando principalmente ao amanhecer e no crepúsculo. Sua área de vida é incrivelmente grande em relação ao seu tamanho, podendo atingir 100 km². É territorialista e vive solitário.

    Foto de armadilha fotográfica.

  • Veado-catingueiro

    Veado-catingueiro

    Mazama gouazoubira

    Cervídeo comum na região do segundo planalto paranaense. Possui registro recente para o município da Lapa, tendo sido considerado por BORGES (1989) o cervídeo mais comum no Parque Estadual de Vila Velha, PR. Seu comprimento varia de 1 a 1,4 m e o peso está em torno de 20 kg. A altura do ombro pode chegar a 75 cm. Sua pelagem é marrom-escuro no dorso e mais pálida no ventre. Habita locais com as mais variadas características, e mantém-se ativo diuturnamente. Alimenta-se de vários tipos de plantas. Possui hábito sedentário, com a área de vida não ultrapassando algumas centenas de metros de circunferência. Tímido, normalmente fica imóvel na presença de alguma ameaça. Caso esta técnica não funcione, foge em disparada. No entanto, não possui a resistência característica de outros cervídeos, o que faz com que seja morto com facilidade por cães domésticos. 

    Foto de armadilha fotográfica.

  • Bivalves

    Bivalves

    Diplodon charruanus - espécie ameaçada encontrada na Uru

    Os bivalves são moluscos encontrados em águas salgadas e doce. As espécies de água doce podem variar de alguns milímetros até 25 cm, possuem um ciclo de vida longo, com algumas espécies podendo viver até 100 anos. Para reproduzir os machos liberam os espermatozoides na água e as fêmeas capturam por meio de um sifão, no interior das brânquias ocorre a fecundação e o crescimento de uma larva, qual é liberada e se liga a um peixe hospedeiro, onde termina seu desenvolvimento e posteriormente é liberada na água. Os bivalves de água doce possuem grande importância ecológica, por serem organismos filtradores, controlam a quantidade de fitoplâncton, detritos e partículas inorgânicas, desta forma contribuem para a qualidade da água de rios e lagos onde ocorrem, sendo considerado indicadores de qualidade ambiental. Apesar de sua importância ecológica, este grupo de animais apresentam declínio de suas populações registradas para todos os continentes devido, principalmente, a alterações no meio ambiente e a introdução de espécies exóticas.  No Brasil, onde ainda há carência de estudos, já são registradas 28 espécies como ameaçadas ou em perigo no livro vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de extinção, entre os quais a  espécie Diplodon charruanus, registrada para a RPPN Mata do Uru. Desta forma, este registro  possibilitará o desenvolvimento de estudos inéditos para o território brasileiro da estrutura populacional e do ciclo de vida da espécie.