Flora

A reserva possui 128,67 hectares, dos quais 76% são cobertos pela Floresta com Araucárias, e o arvoredo forma uma espécie de manto protetor que abriga muitas outras espécies vegetais. Salta aos olhos a grande quantidade de epífitas – plantas que se fixam sobre outras plantas ou pedras para receber luz solar e chuva com mais facilidade. A presença abundante de epífitas na Reserva Mata do Uru indica um ambiente bem conservado, já que essas plantas são muito sensíveis a qualquer alteração no meio em que vivem. Entre as epífitas existentes, há muitas espécies de bromélias, samambaias e orquídeas.

A Reserva guarda ainda outras riquezas naturais quase escondidas e pouco perceptíveis para olhos pouco habituados. Trata-se de macrofungos, assim definidos porque possuem tamanhos avantajados quando comparados a outros tipos de fungos, tais como líquens, ferrugens e carvões. Todos esses tipos de macrofungos podem ser observados na área.

As Plantas

  • Mimosa

    Mimosa

    Mimosa per-dusenii

    Foram encontrados dois indivíduos jovens da espécie arbustiva considerada como raríssima Mimosa per-dusenii Burkart (Fabaceae - Mimosoideae). É uma espécie endêmica do Paraná e foi descoberta pela primeira vez em 1914 por Per Karl Hjalmar Dusen, aí o nome “per-dusenii” (BURKART, 1947). De acordo com o Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA, 2014), existem 41 registros da espécie no Brasil, sendo que 85,3% destes são do Paraná, localizadas no segundo planalto. No Museu Botânico Municipal de Curitiba existem quatro registros da espécie, considerado muito pouco em relação aos registros das demais espécies.

  • Canela-sassafrás

    Canela-sassafrás

    Ocotea odorifera

    As Ocotea odorifera (Vell.) Rohwer - Lauraceae apresentam entre 7 e 18 m de altura, com ramos angulosos, caule geralmente tortuoso, curto e canelado com pequenas dilatações na base e casca com cicatrizes típicas da descamação. As folhas são alternas, simples e brilhantes, sempre agrupadas na ponta dos ramos. O odor caracteriza a espécie, reconhecida pela extração do safrol.

    Ecologia: é considerada indicadora da fertilidade química do solo, ocorrendo geralmente em encostas bem drenadas. A dispersão é feita por aves, macacos e roedores. 

  • Imbuia

    Imbuia

    Ocotea porosa

    A Ocotea porosa (Ness) Barroso - Lauraceae atinge entre 15 e 20 m de altura, apresentando tronco tortuoso e casca acinzentada que se desprende em placas. É caracterizada pelo odor forte, pelas folhas e simples. As flores são pequenas e branco-amareladas. Frutifica entre os meses de janeiro e março, produzindo drupas globosas lisas com coloração entre roxo-escura e vermelho-arroxeada.

    Ecologia: típica da Floresta Ombrófila Mista, representando um importante papel na alimentação de aves, macacos e roedores. Aparece em florestas secundárias, tardias ou clímax. 

  • Xaxim-bugio

    Xaxim-bugio

    Dicksonia sellowiana

    A Dicksonia sellowiana Hook - Dicksoniaceae apresenta entre 2 e 5 m de altura, com até 1 m de diâmetro. O tronco é fibroso e sem espinhos, conferindo uma superfície macia, historicamente explorada para produção de vasos. É considerada uma samambaia primitiva arborescente.

    Ecologia: característica Floresta Ombrófila Mista, ocorrendo apenas nos estágios avançados de sucessão.

  • Pinheiro do Paraná

    Pinheiro do Paraná

    Araucaria angustifolia

    A Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze - Araucariaceae é uma árvore com altura entre 10 e 40 m, apresentando tronco cilíndrico e reto, com casca grossa e áspera, se soltando em placas. As folhas são pequenas e finas, persistindo ao inverno e as pinhas possuem de 10 a 20 cm de diâmetro, produzindo entre 10 e 150 pinhões nos períodos entre abril e julho.

    Ecologia: compõe o estrato superior da Floresta Ombrófila Mista, dioica, perenifólia e heliófila. 

  • Cedro

    Cedro

    Cedrella fissilis

    A Cedrella fissilis Vell - Meliaceae atinge entre 20 e 35 m, com tronco cilíndrico, longo, reto ou tortuoso. A casca é grossa com fissuras longitudinais profundas. As folhas são grandes e alternas com pequenas flores branco-amareladas. Os frutos são produzidos de junho a agosto em forma de uma capsula seca com sementes aladas.

    Ecologia: comum nas formações florestais do estado do Paraná, sendo pioneira a secundária inicial. 

  • Grinalda de noiva

    Grinalda de noiva

    Rudgea jasminoides

    Rudgea jasminoides (Cham.) Mull. Arg -  Rubiaceae é um arbusto de aproximadamente 3,5 m de altura, apresentando folhas simples e opostas. As flores são brancas e compõe exuberantes inflorescências, com predominância de floração nos meses de primavera e verão. Os frutos são vermelhos e amadurecem no outono.

    Ecologia: ocorre geralmente no interior de florestas bem conservadas, não tolerando exposição plena ao sol.

  • Falsa cataia

    Falsa cataia

    Drimys brasiliensis

    Drimys brasiliensis Miers - Winteriaceae é uma árvore de 4 a 8 m de altura, com folhas simples, alternas e glabras, flores brancas dispostas em umbelas terminais com 2 a 5 flores. Os frutos são bagas subglobosas, contendo 2 a 5 sementes negras.

    Ecologia: nativa da Floresta Ombrófila Mista, presente em vários estados do Brasil, especialmente nas florestas de montanha das regiões sudeste e sul.

  • Erva-de-rato

    Erva-de-rato

    Palicourea marcgravii

    A Palicourea marcgravii A. St. Hil. - Rubiaceae é um arbusto com aproximadamente 2 m de altura, com ramos secundários cilíndricos de coloração vermelha escura ao secar. As flores são tubulosas, amareladas na base e azul-arroxeadas na parte superior. Os frutos são bagas biloculares de inicio avermelhado e depois arroxeados.

    Ecologia: maior causadora de envenenamento de gado no Brasil, sua toxina atua principalmente sob o coração, rins e cérebro.