Reserva Mata do Uru

Localizada a apenas seis quilômetros do município da Lapa, PR, a Reserva Mata do Uru possui uma área de 128,67 hectares e abriga remanescentes da Floresta com Araucárias e Campos Naturais. Suas coordenadas geográficas são 25º48’11’’S e 49º41’27’’W. Cercada por seis propriedades particulares a norte, sul, leste e oeste de seus limites, também faz divisa com o Parque Estadual do Monge, unidade de conservação criada em 1960 que abrange 333,72 hectares, dos quais 250 são cobertos por Floresta com Araucárias.

 Ao contrário das demais propriedades particulares ao seu redor, dedicadas à produção agrícola, pecuária e reflorestamentos com espécies exóticas, a Mata do Uru é um oásis de conservação ambiental em meio a uma vastidão de terrenos completamente descaracterizados em termos de vegetação nativa. Por estar situada nos limites do Parque Estadual do Monge, a Reserva Mata do Uru funciona como área de amortecimento da unidade de conservação, ajudando a preservar a vegetação nativa em seu entorno e evitando impactos ambientais.

O relevo da propriedade é íngreme a norte e noroeste, mas há trechos com variados graus de inclinação nas demais áreas. Algumas são suavemente onduladas, com declividade em torno de 8%. Porém, em outros locais, a declividade chega a 45%. O arenito encontrado na região é denominado Arenito da Lapa. A análise da hidrografia da região indica que a Reserva Mata do Uru faz parte da grande bacia do Rio Iguaçu que, por sua vez, integra a bacia do Rio Paraná, a mais importante do Estado e que abrange cerca de 80% do território. Um levantamento de campo realizado na Reserva mostrou que existem 34 nascentes e 40 rios dentro de seu perímetro. O maior curso d’água é o Rio Calixto. O regime das águas, as rochas e a alta declividade do solo em alguns locais deram origem a três belas quedas d’água. A maior tem aproximadamente 10 metros de altura.

O solo da região é considerado raso. Com cerca de 40 centímetros de profundidade, é constituído por um composto que abrange areia (60%), argila (10%) e silte (30%) – material sedimentar formado por pequenas partículas de minerais diversos que são menores do que areia e maiores do que argila. A associação entre a altitude do Segundo Planalto, a composição do solo (classificado como Cambissolo), o clima (que apresenta temperaturas médias anuais de 18°C) e o regime de chuvas (que aponta uma precipitação anual de 1.400 mm) levou à formação de uma flora rica e variada, muito bem representada na Reserva Mata do Uru, uma das raras propriedades particulares da região que escaparam da devastação e da exploração comercial.

História

A Fazenda Uru foi adquirida na década de 1950 pelo Sr. Ari Campanholo, que tinha como objetivo preservar o remanescente ali existente. Com os remanescentes de Floresta com Araucária e Campos Naturais quase intocados, em 1985, o Sr. Gabriel Campanholo, filho do Sr. Ari, mudou-se para a área, construindo uma pequena sede, a qual fez morada até dezembro de 2003.

Durante o período em que esteve dentro da Fazenda Uru, o Sr. Gabriel Campanholo efetivou práticas conservacionistas, dentre elas o plantio de espécies nativas produzidas na própria área. Foram cerca de 80 mil pinhões plantados e acompanhados, mas o registro desse processo foi perdido com a invasão da casa após sua morte. Quanto à conservação da fauna, os caçadores eram afugentados tanto quanto possível. No início da década de 2000, o Sr. Gabriel procedeu à documentação para transformação da área em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), via IBAMA. Até sua morte, em 9 de dezembro de 2003, o processo não havia sido concluído por problemas com documentação. Por fim, a área foi declarada RPPN Federal pela Portaria nº 20, de 5 de março de 2004.

Querendo conservar a sua propriedade, apesar das muitas dificuldades, o Sr. Gabriel Campanholo ouviu pela rádio uma entrevista do fundador e diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, falando sobre a importância da conservação da natureza e da Floresta com Araucárias. Nesse momento, através de uma carta, o Sr. Gabriel entrou em contato com a instituição expondo todas as dificuldades que proprietários rurais estavam tendo para conservar suas propriedades, destacando a dificuldade financeira, mesmo reconhecendo a importância da conservação ambiental.

Com o recebimento da carta, a SPVS entrou em contato com o Sr. Gabriel e, após a realização de uma visita em campo, verificou-se a necessidade real de aquele ambiente ser conservado. Foi então que a SPVS viu a oportunidade de criar o Programa de Adoção de Áreas, com o objetivo de auxiliar os proprietários rurais a conservar os remanescentes naturais presentes em suas propriedades.

Ainda no ano de 2003, por meio do apoio da empresa Posigraf, Gráfica do Grupo Positivo, a Reserva Mata do Uru foi a primeira área a integrar o Programa de Adoção de Áreas. A estratégia do Programa, que no ano de 2007 foi renomeado, passando a ser denominado Programa Desmatamento Evitado, é a construção de uma tríplice aliança entre a instituição, empresas interessadas na causa ambiental e proprietários de reservas naturais bem conservadas, bem como, por meio da utilização da ferramenta de Pagamento por Serviços Ambientais, garantir uma alternativa de renda para que os proprietários consigam manter os remanescentes em suas propriedades, auxiliando assim na reversão do quadro de desmatamento de ecossistemas nativos. A parceria entre SPVS, a família do Sr. Gabriel Campanholo e o Positivo já dura mais de dez anos.